A prevenção da dengue começa com uma medida conhecida, mas que precisa ser repetida durante todo o ano: eliminar ou proteger locais que possam acumular água. O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do vírus da zika, pode usar recipientes pequenos para colocar ovos e iniciar um novo ciclo de reprodução.
Por isso, a vistoria deve fazer parte da rotina de moradores, condomínios, escolas, comércios e espaços públicos. Latas, garrafas, pneus, vasos de plantas, calhas, ralos, caixas-d’água e outros recipientes expostos à chuva podem se transformar em criadouros. A orientação do Ministério da Saúde é eliminar os focos sempre que possível ou manter reservatórios completamente fechados.
Por que a água parada favorece o mosquito
O Aedes aegypti se reproduz em recipientes que acumulam água. Mesmo volumes pequenos, como os encontrados em tampinhas, pratos de vasos ou objetos deixados no quintal, podem oferecer condições para o desenvolvimento de larvas.
Os ovos podem permanecer no ambiente por períodos prolongados e voltar a eclodir quando entram em contato com a água. Por esse motivo, apenas retirar a água visível nem sempre é suficiente. Também é necessário lavar e esfregar as superfícies internas dos recipientes, especialmente quando há suspeita de presença de ovos.
A eliminação de criadouros reduz a quantidade de mosquitos e ajuda a interromper a cadeia de transmissão. A medida deve ser mantida mesmo quando não há casos conhecidos na vizinhança, porque o mosquito pode se deslocar entre imóveis e a circulação do vírus pode não ser imediatamente percebida.
O que verificar dentro de casa
A inspeção pode começar pelos locais mais comuns de acúmulo de água. Pratos colocados sob vasos de plantas devem ser retirados ou mantidos secos. Se o recipiente for indispensável, é preciso impedir que a água fique acumulada e limpar a área com frequência.
Garrafas, potes, baldes, brinquedos, embalagens e outros objetos deixados em áreas externas devem ser guardados em local coberto, virados para baixo ou encaminhados para descarte adequado. Sacos plásticos e lixo também precisam ficar protegidos da chuva.
Os bebedouros de animais domésticos merecem atenção. A água deve ser trocada regularmente, e o recipiente precisa ser lavado para remover possíveis ovos aderidos às paredes. Não basta apenas completar o nível da água.
Caixas-d’água, tonéis, tambores e cisternas devem permanecer bem vedados. Tampas quebradas, frestas ou coberturas improvisadas podem permitir a entrada do mosquito. Quando houver necessidade de armazenamento de água, o recipiente deve estar íntegro e completamente protegido.
Calhas, ralos e áreas externas também exigem cuidado
Calhas entupidas podem acumular água após chuvas. Folhas, galhos e outros resíduos devem ser retirados, principalmente em períodos de maior precipitação. Lajes, marquises e áreas de serviço também precisam ser observadas, pois pequenas irregularidades no piso podem formar poças.
Ralos pouco utilizados podem ser pontos de atenção. A limpeza e a manutenção devem impedir o acúmulo de água. Em banheiros, lavanderias e áreas externas, é importante conferir se há recipientes ou depressões que permanecem úmidos após a chuva.
Pneus guardados ao ar livre devem ficar em local coberto e sem água. Se não tiverem utilidade, o ideal é encaminhá-los para os serviços de coleta ou pontos de recebimento disponíveis no município. Ferros-velhos, oficinas, borracharias e depósitos precisam adotar medidas permanentes para evitar o acúmulo de água em materiais armazenados.
Em terrenos baldios ou imóveis fechados, a população pode comunicar a situação à prefeitura ou à vigilância ambiental do município. A identificação de um foco em uma área comum não elimina a responsabilidade de cada morador de manter seu próprio imóvel protegido.
Como eliminar ovos e larvas corretamente
Ao encontrar água com larvas, a primeira providência é eliminar o líquido em um local que não permita novo contato com água. Em seguida, o recipiente deve ser lavado e esfregado, sobretudo nas paredes e nos cantos, para remover ovos que possam estar aderidos.
O Ministério da Saúde alerta que o uso de produtos como água sanitária ou álcool não deve criar uma falsa sensação de segurança. Em ralos ou vasos sanitários pouco utilizados, esses produtos podem perder o efeito rapidamente e não substituem a limpeza mecânica nem a eliminação do criadouro.
Recipientes descartáveis devem ser retirados do ambiente e destinados corretamente. Quando o objeto puder ser reutilizado, deve ser lavado, seco e armazenado em local protegido da chuva. A melhor estratégia é impedir que a água se acumule novamente.
Medidas de proteção contra picadas
A eliminação dos criadouros é a principal medida de controle do mosquito, mas outras ações ajudam a reduzir o risco de picadas. O Aedes aegypti costuma picar principalmente durante o dia. Por isso, a proteção deve ser mantida também no período diurno.
Roupas que cubram braços e pernas, telas em portas e janelas e mosquiteiros podem reforçar a proteção. Repelentes de uso tópico devem ser registrados e aplicados conforme as instruções do rótulo. Entre os princípios ativos utilizados estão DEET, icaridina e IR3535.
Crianças pequenas exigem atenção especial. Produtos à base de DEET não devem ser usados em menores de 2 anos. Para crianças entre 2 e 12 anos, a concentração e a frequência de aplicação devem seguir as restrições indicadas pelos órgãos de saúde e pela embalagem. Em caso de dúvida, a família deve buscar orientação profissional.
Gestantes podem utilizar repelentes registrados, desde que sigam as recomendações do fabricante. Não existem comprimidos, vitaminas ou produtos de uso oral aprovados para repelir o mosquito da dengue, segundo a Anvisa.
Quais são os sintomas mais comuns da dengue
A dengue pode causar febre alta de início repentino, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, prostração, náusea, falta de apetite e manchas vermelhas na pele. Algumas infecções podem não apresentar sintomas, enquanto outras evoluem com maior intensidade.
Os sinais iniciais podem ser semelhantes aos de outras doenças. Por isso, a presença de febre e de outros sintomas deve ser avaliada em uma unidade de saúde, especialmente quando a pessoa vive ou esteve em uma área com circulação de dengue.
Enquanto aguarda avaliação, a pessoa deve evitar a automedicação. Medicamentos à base de ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não hormonais, como aspirina, ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida, podem aumentar o risco de sangramentos e não devem ser usados para tratar suspeita de dengue sem orientação profissional. A recomendação é procurar atendimento para receber instruções adequadas.
Quando procurar atendimento imediatamente
A melhora da febre não significa necessariamente que o risco terminou. A fase crítica pode começar justamente quando a temperatura diminui, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia após o início dos sintomas.
É necessário procurar atendimento imediatamente diante de dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou sensação de desmaio, dificuldade para respirar, sangramento no nariz ou nas gengivas, presença de sangue nas fezes, sonolência excessiva, irritabilidade ou acúmulo de líquidos.
Grávidas, crianças, pessoas com mais de 60 anos e indivíduos com doenças crônicas podem ter maior risco de complicações e devem receber avaliação de saúde diante de sintomas suspeitos. O acompanhamento deve seguir a orientação da equipe responsável, inclusive após a queda da febre.
Hidratação e acompanhamento durante a doença
Não existe tratamento específico contra o vírus da dengue. A assistência costuma incluir repouso, hidratação e acompanhamento clínico, conforme a avaliação de cada caso. A quantidade e o tipo de líquido devem ser orientados por profissionais de saúde, principalmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes.
O paciente deve retornar ao serviço de saúde quando houver sinais de alarme ou conforme o prazo indicado na consulta. A piora pode ocorrer rapidamente, e a observação dos sintomas é importante mesmo quando a febre diminui.
Prevenção depende de uma rotina contínua
Combater a dengue não é uma tarefa restrita aos períodos de surto ou às campanhas públicas. A eliminação de água parada precisa ser incorporada à rotina, com atenção especial após chuvas, mudanças de residência, reformas e períodos em que imóveis permanecem fechados.
Uma vistoria semanal ou sempre que houver chuva pode ajudar a identificar novos pontos de acúmulo. O cuidado deve envolver moradores, síndicos, responsáveis por estabelecimentos, escolas e órgãos públicos. Cada criadouro eliminado reduz a possibilidade de reprodução do mosquito.
Para orientações sobre sintomas, atendimento e ações de controle, a população deve procurar a unidade de saúde ou os canais oficiais da prefeitura e da secretaria municipal de saúde. Informações gerais sobre prevenção, sinais de alarme e tratamento estão disponíveis no Ministério da Saúde.








