quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Saúde

Cuidados durante atividades na floresta ajudam a reduzir acidentes na Amazônia

Conheça cuidados essenciais para realizar atividades na floresta amazônica com mais segurança, reduzir o risco de quedas, picadas, desidratação, acidentes com ferramentas e outros imprevistos.

Realizar atividades na floresta exige planejamento, atenção e equipamentos compatíveis com o ambiente. Na Amazônia, trilhas, deslocamentos por áreas rurais, trabalhos de campo, coleta de produtos florestais, pesca e visitas a comunidades podem envolver riscos como quedas, cortes, picadas, desidratação, mudanças no tempo, perda de orientação e acidentes em rios.

Grande parte dessas ocorrências pode ser reduzida com medidas simples antes e durante a atividade. Os principais cuidados na floresta incluem informar o trajeto a alguém de confiança, verificar as condições do local, utilizar roupas e calçados adequados, evitar agir sozinho em áreas remotas e saber como pedir ajuda em caso de emergência.

As orientações a seguir são medidas gerais de prevenção. Em situações de risco, acidentes graves ou sintomas intensos, a recomendação é buscar atendimento profissional e acionar os serviços de emergência disponíveis na região.

Planeje a atividade antes de entrar na mata

O planejamento começa pela definição do percurso, do tempo estimado e das condições de acesso. Antes de sair, é importante verificar se a área é autorizada para visitação ou trabalho, se existe sinal de telefonia, quais são os pontos de entrada e saída e onde há unidades de saúde ou apoio próximas.

Também é recomendável informar a familiares, colegas ou responsáveis o destino, o caminho previsto, o horário de retorno e os nomes das pessoas que participarão da atividade. Em locais sem comunicação, o grupo deve combinar previamente como agir caso alguém se separe ou ocorra um acidente.

O tamanho e a dificuldade do percurso devem ser compatíveis com a experiência e as condições físicas dos participantes. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas podem precisar de planejamento específico, pausas mais frequentes e acompanhamento adequado.

Em áreas de difícil acesso, a presença de um guia ou trabalhador experiente pode ajudar na identificação de riscos, na escolha do caminho e na tomada de decisões. O conhecimento local, no entanto, não substitui equipamentos de proteção, comunicação e preparo para emergências.

Use roupas e equipamentos adequados

Roupas compridas, de tecido resistente e que permitam movimentação ajudam a proteger contra arranhões, insetos, galhos e contato com plantas. Calçados fechados, firmes e com boa aderência reduzem o risco de escorregões, torções e perfurações.

Em atividades de campo, o uso de botas de cano alto ou de borracha e, conforme o risco, de perneiras pode oferecer proteção adicional contra animais peçonhentos. Luvas resistentes devem ser utilizadas quando houver manipulação de madeira, folhas, pedras, ferramentas ou outros materiais que possam esconder animais.

O Ministério da Saúde recomenda roupas confortáveis, calçados fechados, proteção contra o sol e uso de repelente quando necessário. Essas medidas ajudam a reduzir a exposição a picadas, torções, insolação e outros problemas comuns em atividades ao ar livre. (gov.br)

O equipamento deve ser revisado antes da saída. É preciso verificar se botas, lanternas, mochilas, facões, cordas, capacetes, luvas e outros itens estão em boas condições. Ferramentas danificadas ou improvisadas aumentam o risco de cortes e falhas durante o uso.

Leve água, alimentação e proteção contra o clima

O calor e a umidade podem aumentar a perda de líquidos durante caminhadas e trabalhos na floresta. Por isso, o grupo deve levar água em quantidade suficiente para o tempo previsto, considerando possíveis atrasos. Bebidas alcoólicas não substituem a hidratação e prejudicam a avaliação de riscos.

Alimentos leves e de fácil transporte podem ajudar em atividades prolongadas. Também é útil levar capa de chuva, proteção para equipamentos eletrônicos, chapéu ou boné, protetor solar e repelente, conforme as condições do local.

Chuva forte, ventos intensos, raios e elevação repentina do nível da água exigem interrupção ou mudança do trajeto. Durante tempestades, é preciso evitar permanecer próximo a árvores isoladas, margens de rios, áreas alagadas e estruturas metálicas expostas.

Em áreas onde há possibilidade de fumaça ou queimadas, a atividade deve ser suspensa quando houver risco à integridade das pessoas. A fumaça pode reduzir a visibilidade e causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias. Não se deve tentar atravessar fogo ou se aproximar de uma queimada para observar, fotografar ou realizar resgates sem treinamento e equipamentos próprios.

Evite quedas, cortes e acidentes com ferramentas

Terrenos de floresta podem esconder raízes, cipós, buracos, pedras soltas, troncos e trechos escorregadios. A caminhada deve ser feita em ritmo compatível com o terreno, sem correr e sem ultrapassar pessoas em locais estreitos ou inclinados.

Antes de apoiar as mãos ou os pés, observe o local. Troncos ocos, montes de folhas, pedras, frestas e buracos podem abrigar animais. Quando for necessário movimentar madeira, folhas ou objetos, use uma ferramenta apropriada e mantenha distância segura de outras pessoas.

Facões, terçados, machados e motosserras devem ser usados somente por pessoas treinadas. A área de trabalho precisa ser organizada, com distância suficiente entre os integrantes da equipe. A ferramenta deve permanecer protegida quando não estiver em uso e nunca deve ser deixada no chão com a lâmina exposta.

Em atividades de corte de árvores, é necessário avaliar a direção de queda, a presença de galhos, o vento, a inclinação do terreno e as rotas de fuga. Chuva ou ventos fortes são motivos para interromper a operação. Cartilha sobre segurança na atividade florestal recomenda treinamento, uso de equipamentos de proteção e paralisação do trabalho em condições climáticas perigosas. (amazonfund.gov.br)

Tenha atenção com animais peçonhentos

Serpentes, aranhas, escorpiões, lagartas e abelhas podem causar acidentes em áreas de mata, propriedades rurais e locais com acúmulo de madeira ou folhas. O risco aumenta quando a pessoa coloca a mão em tocas, ocos de árvores, cupinzeiros, pilhas de lenha, pedras ou vegetação sem observar previamente.

Para reduzir a possibilidade de contato, verifique calçados, roupas, mochilas e equipamentos que ficaram guardados ou foram deixados no chão. Ao andar por trechos de vegetação fechada, utilize calçados adequados e, quando indicado, luvas e perneiras. A orientação também vale para atividades como coleta, limpeza de terrenos, manejo de madeira e jardinagem.

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas recomenda o uso de botas, luvas e perneiras em áreas de risco e orienta a inspeção de roupas e calçados antes do uso. (fvs.am.gov.br)

Não tente capturar, tocar ou matar um animal encontrado no caminho. O ideal é manter distância e permitir que ele se afaste. Se for necessário registrar a espécie para ajudar no atendimento, uma fotografia feita com segurança pode ser útil, desde que isso não atrase a busca por assistência.

O que fazer em caso de picada ou mordida

Em caso de acidente com animal peçonhento, mantenha a vítima em repouso e procure atendimento médico o mais rapidamente possível. Se não houver risco, observe características do animal ou faça uma foto à distância. Essas informações podem ajudar os profissionais de saúde, mas não devem atrasar o deslocamento.

O local pode ser lavado com água e sabão, quando isso estiver disponível. Anéis, pulseiras, relógios, calçados e outros objetos apertados devem ser retirados do membro atingido antes que o inchaço aumente.

Não faça torniquete, não corte ou queime o local, não tente sugar o veneno e não aplique folhas, pó de café, álcool, querosene, terra ou outras substâncias. O Ministério da Saúde alerta que essas práticas podem piorar a lesão, favorecer infecções e não neutralizam a peçonha. (miniapps.saude.gov.br)

A vítima não deve caminhar sem necessidade. Em locais remotos, o grupo deve organizar a remoção com segurança e informar à equipe de atendimento o tipo de acidente, o horário, o local aproximado e os sintomas observados.

Previna desidratação, insolação e mal-estar

Os sinais de desidratação podem incluir sede intensa, fraqueza, tontura, dor de cabeça, boca seca e redução da urina. Ao identificar esses sintomas, interrompa a atividade, procure um local protegido, ofereça água à pessoa consciente e avalie a necessidade de atendimento.

O esforço deve ser reduzido nos horários mais quentes. Pausas regulares, roupas leves, proteção para a cabeça e sombra ajudam a evitar o excesso de calor. Pessoas que utilizam medicamentos ou têm problemas cardíacos, respiratórios ou de pressão devem seguir orientações médicas antes de participar de atividades prolongadas.

Repelentes podem reduzir a exposição a mosquitos, mas devem ser usados conforme as instruções do rótulo. Também é importante evitar o consumo de água de rios, igarapés ou outras fontes sem tratamento adequado, mesmo quando a aparência do local parece limpa.

Cuidados em rios, igarapés e áreas alagadas

Deslocamentos por água exigem colete salva-vidas compatível com o peso da pessoa, atenção à lotação da embarcação e respeito às condições do rio. O equipamento deve ser usado durante o trajeto, e não apenas mantido dentro do barco.

Antes de entrar na água, verifique a correnteza, a profundidade, a existência de galhos, pedras, redes, embarcações e outros obstáculos. Evite nadar em locais desconhecidos, durante chuvas fortes ou quando houver sinais de mudança no nível da água.

Em embarcações, mantenha ferramentas, combustível e objetos cortantes acondicionados de modo seguro. Crianças devem permanecer sob supervisão constante. O uso de álcool aumenta o risco de quedas, afogamentos e decisões inadequadas.

Monte um kit básico e saiba pedir ajuda

O kit deve ser adaptado ao tipo e à duração da atividade. Em geral, pode incluir água, lanterna, pilhas ou bateria extra, apito, carregador portátil, capa de chuva, material para pequenos curativos, gaze, ataduras, luvas descartáveis, antisséptico adequado e medicamentos de uso pessoal.

O kit não substitui treinamento de primeiros socorros. Em caso de ferimento, a prioridade é proteger a cena, controlar sangramentos com compressão direta quando possível e evitar movimentar a vítima sem necessidade. Suspeitas de fratura, trauma na cabeça, dificuldade para respirar, perda de consciência, sangramento intenso ou reação alérgica exigem atendimento urgente.

Ao pedir ajuda, informe o ponto de partida, o destino, as referências visíveis, o número de pessoas envolvidas e o estado da vítima. Se houver sinal de telefone, acione o serviço de emergência disponível na região. Quando não houver sinal, utilize os meios previamente combinados com a equipe ou procure o ponto de comunicação mais próximo, sem abandonar uma pessoa gravemente ferida sozinha.

Respeite a floresta e reduza novos riscos

Não acenda fogueiras fora de locais autorizados, não descarte pontas de cigarro e não deixe resíduos na mata. O fogo pode se espalhar rapidamente, especialmente em períodos de estiagem, e colocar em risco pessoas, comunidades e áreas protegidas.

Também não alimente animais silvestres, não bloqueie trilhas, não retire plantas e não se aproxime de ninhos ou filhotes. A preservação do ambiente contribui para diminuir situações de conflito e mantém os caminhos mais seguros para moradores, trabalhadores e visitantes.

Com planejamento, equipamentos adequados, atenção ao clima e respeito aos limites do grupo, atividades na floresta podem ser realizadas com menor exposição a acidentes. Na Amazônia, onde muitas áreas são extensas e de difícil acesso, prevenir continua sendo a forma mais eficiente de proteger a saúde e facilitar uma eventual resposta de emergência.