sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Saúde

Fumaça de queimadas na Amazônia pode prejudicar a saúde respiratória; veja como se proteger

A fumaça de queimadas na Amazônia contém partículas e gases que podem afetar a saúde respiratória. Saiba quais sintomas observar, quem está mais vulnerável e quais medidas ajudam a reduzir a exposição durante períodos de baixa qualidade do ar.

A fumaça de queimadas na Amazônia pode prejudicar a saúde respiratória mesmo de pessoas que não vivem próximas aos focos de incêndio. Dependendo do vento e das condições atmosféricas, os poluentes podem se espalhar por áreas urbanas e rurais, elevando a concentração de partículas no ar e provocando irritação, tosse, falta de ar e piora de doenças preexistentes.

O risco aumenta durante períodos de estiagem, baixa umidade do ar e temperaturas elevadas. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doenças cardíacas ou baixa imunidade precisam redobrar os cuidados.

As orientações abaixo são baseadas em recomendações do Ministério da Saúde e em informes de órgãos públicos de vigilância em saúde.

Por que a fumaça das queimadas faz mal?

A fumaça produzida por incêndios florestais e queimadas reúne partículas sólidas e líquidas, gases e outros compostos liberados pela queima da vegetação e de materiais presentes no solo. Entre os poluentes estão as partículas inaláveis, o material particulado fino, o monóxido de carbono e outros gases irritantes.

As partículas finas, conhecidas como MP2,5, têm diâmetro muito pequeno e podem alcançar regiões profundas dos pulmões. A exposição pode causar inflamação das vias respiratórias, reduzir a qualidade da respiração e agravar quadros de asma, bronquite, rinite e DPOC.

O Ministério da Saúde também alerta que a poluição provocada pela fumaça pode afetar o sistema cardiovascular, principalmente em pessoas que já apresentam doenças cardíacas ou fatores de risco. Por isso, o cuidado não deve se limitar a quem costuma ter sintomas respiratórios.

Quais sintomas podem aparecer?

Os efeitos dependem da concentração de poluentes, do tempo de exposição, da idade e das condições de saúde de cada pessoa. Os sintomas podem surgir durante a exposição ou nas horas seguintes.

  • tosse seca ou persistente;
  • irritação ou dor na garganta;
  • ardência, vermelhidão e lacrimejamento nos olhos;
  • coriza, congestão nasal e espirros;
  • rouquidão;
  • dor de cabeça;
  • cansaço e mal-estar;
  • chiado no peito;
  • aperto ou desconforto no tórax;
  • falta de ar;
  • piora de crises de asma, bronquite ou outras doenças respiratórias.

A presença de sintomas leves não significa que a exposição seja segura. Se o desconforto persistir, piorar ou vier acompanhado de dificuldade para respirar, é necessário procurar avaliação em um serviço de saúde.

Quem está mais vulnerável?

Embora qualquer pessoa possa sofrer com a fumaça, alguns grupos têm maior probabilidade de apresentar complicações. Crianças pequenas possuem o sistema respiratório em desenvolvimento e podem inalar uma quantidade proporcionalmente maior de ar. Pessoas idosas também podem ter maior risco por causa da presença de doenças crônicas e da menor capacidade de compensar alterações respiratórias.

Gestantes, pessoas com asma, bronquite, DPOC, rinite intensa, doenças cardiovasculares ou imunidade comprometida devem acompanhar com atenção os alertas de qualidade do ar. Trabalhadores rurais, brigadistas e outros profissionais que permanecem ao ar livre por longos períodos também estão mais expostos.

Em caso de doença respiratória ou cardíaca, os medicamentos de uso contínuo devem permanecer disponíveis. A pessoa não deve interromper ou modificar o tratamento por conta própria. Mudanças na medicação precisam ser orientadas por um profissional de saúde.

O que fazer quando houver fumaça no ar?

Reduza o tempo de exposição

A principal medida é diminuir o contato com a fumaça. Sempre que possível, permaneça em ambientes internos durante os períodos em que o ar estiver mais poluído. Evite sair sem necessidade e reduza o tempo de permanência em locais com cheiro forte de fumaça ou baixa visibilidade.

Portas e janelas podem permanecer fechadas nos horários de maior concentração de poluentes. Ambientes com ar-condicionado, filtros adequados ou purificadores podem ajudar a reduzir a entrada de partículas, desde que os equipamentos estejam limpos e recebam manutenção conforme as orientações do fabricante.

Evite exercícios ao ar livre

Corridas, caminhadas intensas, ciclismo e outras atividades físicas aumentam a frequência e a profundidade da respiração. Com isso, mais partículas podem ser levadas para dentro dos pulmões. Durante alertas de baixa qualidade do ar, suspenda ou transfira essas atividades para um ambiente protegido.

Escolas, equipes esportivas e organizadores de eventos também devem evitar atividades ao ar livre quando houver fumaça intensa ou recomendação das autoridades locais.

Beba água regularmente

A ingestão de água e outros líquidos ajuda a manter as mucosas das vias respiratórias hidratadas. A medida pode aliviar o desconforto causado pelo ar seco e pela fumaça, mas não impede a entrada de poluentes nem substitui a redução da exposição.

Também é importante evitar o consumo de cigarro e a exposição à fumaça de tabaco. A combinação com a poluição das queimadas pode aumentar a irritação das vias respiratórias.

Use a máscara adequada quando precisar sair

Quando a saída for necessária, máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100, corretamente ajustadas ao rosto, podem reduzir a inalação de partículas finas. O modelo deve cobrir completamente o nariz e a boca, sem folgas nas laterais.

Máscaras cirúrgicas, de tecido, panos e lenços não oferecem a mesma proteção contra as partículas finas presentes na fumaça. Além disso, os respiradores filtrantes não eliminam todos os gases tóxicos. Por isso, o uso da máscara não deve ser interpretado como autorização para permanecer por longos períodos em áreas com fumaça intensa.

Quando procurar atendimento médico?

A pessoa deve procurar atendimento se apresentar falta de ar, chiado intenso, dor ou pressão no peito, tontura, confusão, fraqueza importante, lábios arroxeados ou piora rápida dos sintomas. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas devem ser avaliados com maior rapidez.

Também é importante buscar assistência quando uma crise de asma ou bronquite não melhora com o tratamento habitual prescrito, quando a tosse se prolonga ou quando há febre e sinais de infecção respiratória. Em situações de emergência, a orientação é acionar o serviço de urgência disponível na região.

Não é recomendado tomar antibióticos, corticoides, xaropes ou outros medicamentos por conta própria. A fumaça pode provocar diferentes problemas, e somente uma avaliação clínica pode indicar o tratamento adequado.

Como acompanhar a qualidade do ar na Amazônia?

A população deve acompanhar boletins meteorológicos, alertas de queimadas e informações oficiais sobre a qualidade do ar. O Ministério da Saúde mantém orientações sobre os impactos das queimadas e indica ferramentas de monitoramento relacionadas à poluição atmosférica e à saúde.

Estados e municípios também podem divulgar comunicados próprios, especialmente durante períodos de estiagem. No Amazonas, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas e os órgãos municipais publicam recomendações quando há aumento da fumaça ou piora das condições ambientais.

Ao acompanhar os alertas, observe especialmente as orientações sobre suspensão de atividades ao ar livre, permanência em ambientes protegidos e necessidade de procurar atendimento. Em comunidades rurais e áreas de difícil acesso, é importante manter contato com as equipes locais de saúde e seguir as instruções da Defesa Civil.

Cuidados dentro de casa e no trabalho

Durante episódios de fumaça, mantenha portas e janelas fechadas nos horários críticos e evite realizar atividades que aumentem a poluição interna, como queimar lixo, acender fogueiras ou usar produtos que liberem fumaça. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas devem ficar no cômodo mais protegido da casa.

Quem trabalha ao ar livre deve reduzir o tempo de exposição sempre que possível, fazer pausas em local protegido e utilizar respirador adequado. A máscara precisa estar bem ajustada e ser trocada quando estiver suja, danificada ou com dificuldade para respirar. Empresas e órgãos públicos devem avaliar a necessidade de reorganizar horários e tarefas durante períodos críticos.

Também não se deve consumir alimentos, bebidas ou medicamentos que tenham entrado em contato com cinzas ou resíduos de queimadas. Esses produtos podem estar contaminados e devem ser descartados conforme as orientações locais.

A fumaça pode chegar a regiões distantes do fogo

A ocorrência de sintomas não depende apenas da proximidade de uma comunidade em relação ao foco de incêndio. Ventos, relevo, umidade e estabilidade da atmosfera influenciam o deslocamento e a concentração dos poluentes. Por essa razão, cidades distantes das áreas queimadas também podem registrar céu encoberto, cheiro de fumaça e piora da qualidade do ar.

Na Amazônia, o problema pode atingir comunidades urbanas, rurais e tradicionais, com impactos maiores quando a exposição se prolonga por vários dias. Reduzir a permanência ao ar livre, monitorar os alertas e reconhecer sinais de gravidade são medidas importantes para proteger a saúde respiratória.

Resumo das principais recomendações

  • acompanhe alertas oficiais sobre queimadas e qualidade do ar;
  • permaneça em locais fechados e protegidos quando houver fumaça intensa;
  • evite exercícios e esforços físicos ao ar livre;
  • beba água regularmente;
  • não fume e evite outras fontes de fumaça;
  • use máscara N95, PFF2 ou P100 bem ajustada quando precisar sair;
  • mantenha medicamentos prescritos disponíveis, sem alterar o tratamento por conta própria;
  • observe crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas;
  • procure atendimento diante de falta de ar, dor no peito, confusão, lábios arroxeados ou piora rápida.

A fumaça de queimadas na Amazônia é um problema ambiental e de saúde pública. A prevenção depende da redução da exposição, do acompanhamento das informações oficiais e da busca rápida por atendimento quando surgirem sinais de alerta.